quarta-feira, 27 de junho de 2007

fridusca


ponto e linha

Ao fruirmos uma obra de arte, temos ali uma troca de sensações com a obra. Ao percebermos os elementos visuais adentramos a realidade criada pelo artista e independente da intenção dele, usamos a nossa bagagem de vida para analisar, experimentar, gostar ou não.

Lógico que viventes de uma mesma cidade, época, língua podem associar alguns elementos de forma semelhante, porém como temos nossas particularidades, aos olhos atentos e aos conhecedores do percurso poético do artista ou do movimento em que se enquadra, as construções simbólicas guiam-nos de forma diferenciada.

Uma exposição de arte deve ser experimentada dentro do seu contexto histórico, geográfico, político, social e para que se construa conhecimento a partir da visitação a uma exposição é necessário situar-se e sim ler textos relacionados.

Na atualidade temos os mais variados movimentos artísticos e subjacências, temos projetos tão de vanguarda que não somos capazes de olhar para ele com a necessária distância emocional que nos trás a luz a obra, o artista, o processo como um todo.

Por falta de tempo, de prática ou de hábito a maior parte das pessoas não visita exposições de arte e quando o fazem não conseguem frui-la por completo. Independente do que seja informação e boa vontade podem lhe permitir ir além do obvio e imediato.

Faltou dizer que olhar as coisas pela ótica de uma criança, com pureza e livre de pré-conceitos faz com que as associações, assimilações e experimentações sejam enriquecedoras e surpreendentes.

E se você não conseguir se desapegar de seus valores, faça a mediação de uma exposição de arte para uma criança e sinta o quanto de pontecial existe.

exposições

cor cores conceitos

As cores tem em si uma poética própria e particular. Sua relação se da com o meio em que está inserida variando em quantidade de luz e cores com que se relaciona e com a percepção do observador.

O antigo modelo de ensino cores primárias (amarelo+vermelho+azul) e secundárias (laranja+roxo+verde) não atende mais a complexidade dos novos conceitos.

Atualmente precisamos fazer uma distinção em se falando de cor, existe a:

- cor-luz (RGB) obtida pela adição de diferentes comprimentos de onda das cores primárias de luz Vermelho + Azul (cobalto) + Verde = Branco.


- cor-pigmento (CMYK) que acontece pela subtração, partindo de uma superfície sem pigmentação (branca) misturando-lhe as cores Ciano + Magenta + Amarelo.

Levando em conta ainda que a cor é captada na retina e processada no cérebro (que faz correções e mantem a memória), que ainda sofre influência do meio em que está, será que é todos enxergamos a mesma cor?

O nome da cor vermelho representa a mesma cor pra duas pessoas?

Existem associações culturais da cor, a significação, mas quando estamos vivendo civilizadamente temos o mesmo tipo de influência que as pessoas que circulam por onde andamos, quer dizer aprendemos a dar ao nome de um jeito geográfica e históricamente igual há várias outras pessoas.

No levantamento dos significados a ambivalência das cores se da por toda a história, por exemplo:

amarelo - ouro, luz, masculino, vida, renovação, eternidade, velhice, declínio, crueldade, dissimulação, cinismo, sábio, bom-conselho, traição decepção.

azul - infinito, imaterial, irrealidade, imóvel, indiferente, verdade, coragem, força, fome, morte, renovação, eternidade, espiral, passivo, renúncia.

vermelho - sangue, diurno, macho, noturno, fêmea, secreto, força, mistério, sedução, coragem, proibição, saúde, juventude, geração, imortalidade, ação, paixão, libertação, opressão.

Utilizando as citações de um artigo acadêmico:

- Toda cor afeta o ser humano, seja pelo eletromagnetismo, seja pela representação psicosocial;

- A receptividade e reação às cores dependem de aspectos relacionados à idade, sexo e cultura.

A cor como elemento de percepção particular e interpretativo direcionam o pensamento a uma analise antropológica, social e psicológica do ser-humano.


referências: dicionário de símbolos, wikipédia, artigo acadêmico.

quinta-feira, 21 de junho de 2007

começo


Tenho várias caras.
Uma é quase bonita, outra é quase feia.
Sou um o quê?
Um quase tudo.
Clarice Lispector


eu sou como eu sou
presente
desferrolhado indecente
feito um pedaço de mim
Torquato Neto


nada sou, nada posso, nada sigo.
trago, por ilusão, meu ser comigo.
não compreendo compreender, nem sei se hei de ser, sendo nada, o que serei.
Fernando Pessoa

quarta-feira, 20 de junho de 2007

...

rumo ao atemporal etereamente infinito